ACM Neto: o que as pesquisas não dizem, a realidade nos conta

No “reino” do prefeito “Netinho” Salvador é vendida como a cidade do turismo, como diz o ditado popular, pra “inglês vêr”

Governador Rui Costa (PT): caviar para a classe média e os turistas, lata de sardinha para os trabalhadores

O governador do PT declara que é preciso criar linhas especiais para atender um setor da classe média que não se sente atraída pelo transporte coletivo de Salvador.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Motivada pela chacina do Cabula, audiência pública debate segurança pública e violência policial na Bahia.

 
 
 

Lucas Dantas, Salvador (BA)

 



Ocorreu ontem, 26/02, pela manhã no auditório da sede OAB-BA a audiência pública “Ações da RONDESP no Cabula: Limites para uso da força da polícia militar” motivada pelo recente caso da chacina na comunidade de Vila Moisés no bairro do Cabula. A audiência atraiu um imenso público, retrato da enorme repercussão que as mortes causadas pela ação da RONDESP provocaram e o clamor da sociedade por um debate que aponte caminhos para superar o atual quadro das políticas de segurança pública.
O auditório da OAB ficou pequeno, cerca de 600 pessoas estiveram presentes. Na mesa de debate representantes da OAB, da defensoria pública, do ministério público, do governo do Estado, associações de policiais civis, parlamentares e Hamilton Borges, coordenador da Campanha REAJA. No auditório lotado se fizeram presentes também muitos ativistas de diversos movimentos sociais, em especial do movimento negro.
Também havia um grande número de policiais presentes, o que contribui para gerar um clima de tensão durante toda audiência. Lamentavelmente não houve da parte dos policiais que se encontravam no plenário o reconhecimento “mínimo” de que uma ação que resulta na morte de 13 jovens não pode ser defendida, muito menos naturalizada. Ao contrário, em diversos momentos atuaram como verdadeiros provocadores interrompendo falas, ameaçando ativistas, sendo que alguns sentiam-se a vontade pra gritar: “Vocês são contra a polícia porque são todos maconheiros vagabundos”!
 
 

Uma política de segurança falida.

A ampla maioria das falas durante toda a audiência convergiram num sentido: A atual política de segurança pública está esgotada, não apenas porque é incapaz de conter a violência mas, na verdade, através de sua lógica de guerra e modelo militarizado de polícia promove a violência. A isso soma-se a ideologia racista que está no DNA dos órgãos de controle social no Brasil desde os tempos da escravidão fazendo do povo negro o grande alvo, um “inimigo” a ser eliminado numa guerra montada pelo próprio estado brasileiro contra aqueles que representam a maioria da população.
Nessa guerra, ou melhor, nesse extermínio diário que o Estado brasileiro promove, as baixas de ambos os lados possuem a mesma cor. Em especial na cidade de Salvador onde mais de 80% da população é negra, o policial que vai até a periferia e tira a vida de jovens negros, na ampla maioria dos casos também é negro e morador de periferia. Nesse ponto concordamos com o coordenador da Campanha REAJA Hamilton Borges quando diz que “policiais não podem sair de suas casas em locais pobres para combater pessoas que parecem com eles”.
 
João Jorge Rodrigues, presidente do Olodum, também usou da fala para denunciar o que chamou de “modelo nazista de policia militar” baseado no tripé “isolar, identificar e eliminar”. Ele também relembrou o histórico de membros da entidade que foram perseguidos e assassinados pela polícia. Já a professora Vilma Reis dirigindo-se aos policiais militares, que no fundo do plenário faziam provocações a todo momento, disse que “as armas não brotam nas comunidades, as balanças de precisão não brotam nas comunidades, e os helicópteros repletos de cocaína também não brotam nas comunidades”. Em seguida denunciou, assim como inúmeras outras falas fizeram, as declarações do governador Rui Costa e do secretário de segurança pública Maurício Barbosa.

Desmilitarizar é preciso.

Na Bahia e no Brasil a postura histórica do Estado através dos seus diversos governos e regimes foi a do abandono das periferias e criminalização dos mais pobres. O Estado que se ausenta frente a responsabilidade de promover educação, saúde, moradia digna, cultura e emprego só se faz presente na periferia através do braço armado da polícia. Infelizmente após 12 anos de governos petistas o Brasil continuou sendo um dos países mais desiguais do mundo, e é justamente essa desigualdade que promove as injustiças sociais que devem ser combatidas se quisermos de fato buscar uma saída para violência.
 
O governador Rui Costa já demonstrou que pretende manter a lógica da repressão. Com uma mão o governador pretende cortar mais de 200 milhões de reais do orçamento da educação e com a outra sinalizou a pretensão de gastar mais de 300 milhões com o projeto de criação da BOPE baiana. Não há outro caminho para o movimento negro baiano que não seja o do enfrentamento com a política de segurança pública posta em prática pelo governo petista. É preciso romper com essa lógica de guerra.
Uma vez mais reivindicamos a fala feita na audiência por Hamilton Borges quando disse que Nós queremos o fim da Polícia Militar, porque nós queremos que os policiais tenham direito à greve, que os policiais não se submetam a uma casta de oficiais, que estão ‘muito bem, obrigado’, enquanto os policiais vão para guerra”. Para conter a escalada da violência e dar um basta ao genocídio da juventude negra a desmilitarização da polícia, o fim dos “Autos de resistência”, a criação de corregedorias externas e a extinção de batalhões especiais como a RONDESP e o BOPE são medidas necessárias.
O PSTU se soma as organizações e aos diversos ativistas que exigem do governo garantias de que haverá uma investigação ampla e rápida, se necessário for, federalizada, para que todos os envolvidos nessa chacina sejam devidamente julgados e punidos. Enquanto isso não podemos recuar nenhum único centímetro, os movimentos devem se manter em luta organizando atos, promovendo debates, fazendo de tudo para ampliar o alcance da luta contra o genocídio e em defesa da vida da nossa juventude negra.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Na política de segurança pública do PT, faz mais gols quem mata mais negros


Direção Estadual do PSTU.

Salvador, Bahia.


Desde a última sexta, dia 06, três operações feitas pela RONDESP (Rondas Especiais, batalhão de elite da PM) na capital baiana resultaram nas mortes de 17 jovens. Da parte da polícia a alegação é a mesma já feita incontáveis vezes em inúmeros outros casos de extermínio; os jovens mortos estariam envolvidos com o tráfico de drogas e teriam morrido em confronto com os policiais.

Essa “justificativa” utilizada tantas vezes como desculpa não se sustenta quando confrontada com os depoimentos dos moradores das comunidades do Cabula, de Cosme de Farias e de Sussuarana. O jovem Alexsandro, 20 anos, morador de Cosme de Farias, segundo depoimentos teria gritado por socorro e já com as suas duas pernas quebradas, teria pedido misericórdia ao seu executor dizendo “Não faz isso comigo Bira!”. A versão policial também não se sustenta perante o fato que os corpos das vítimas da chacina do Cabula tenham perfurações de balas nas costas e atrás da cabeça, características típicas de uma execução.

Corroborando com a posição oficial do alto comando da PM e da secretaria de segurança pública que legitimaram a ação da polícia, o governador Rui Costa/PT deu uma lamentável declaração sobre a ação da RONDESP, que resultou na chacina do Cabula, comparando a ação dos policiais a de um jogador de futebol na hora de fazer um gol: “É como um artilheiro em frente a um gol, que tem que decidir em alguns segundos como é para colocar a bola para fazer um gol (...)Qual o limite de energia e de força? Tem que ter a frieza necessária e a calma necessária e a escolha muitas vezes não resta muito tempo. São alguns segundos que nós temos para decisão.”. Somente alguém comprometido com uma lógica genocida de segurança pública pode reproduzir esse tipo de raciocínio.

No “jogo” macabro da segurança pública na Bahia o governador, o secretário de segurança e o comando da PM são a comissão técnica, os policiais são os atacantes, o povo negro e trabalhador são vistos como o time adversário e o placar é movido pelas mortes de jovens negros na periferia. É por conta dessa lógica de pensar a segurança como uma questão de guerra que a polícia brasileira é uma das que mais mata no mundo. Já o racismo, enraizado no Estado brasileiro, dá os contornos decisivos para pintar um quadro sinistro onde, segundo os dados do mapa da violência, somos o país do mundo que mais mata negros. A polícia baiana é a que em termos relativos mais mata no Brasil e aqui na Bahia um jovem negro tem 3,5 vezes mais chances de morrer que um branco.

O que as declarações oficiais tentam esconder (sejam elas do comando da PM, da secretaria de segurança, ou do governador) é que há uma política de estado orientada para criminalizar e sempre que possível ir as vias de fato exterminando fisicamente a juventude negra. Por isso a cada nova barbárie policial surgem cínicas justificativas que buscam relacionar assassinatos como os ocorridos nos últimos dias ao envolvimento com o tráfico. A despeito da inexistência da pena de morte no código penal brasileiro as policias na Bahia, no Rio, em São Paulo e no resto do Brasil já instituíram essa prática nas periferias. Os policiais da RONDESP agiram em Cosme de Farias, Sussuarana e Cabula, como promotores, juízes e carrascos de um tribunal de rua que só existe porque tem o consentimento dos governos.

Para enfrentar essa situação atalhos não bastam. Somente medidas de caráter estrutural na política de segurança pública podem iniciar um ciclo de mudança capaz de pôr um fim a escalada de violência. Batalhões especiais como o BOPE carioca e a RONDESP baiana deveriam ser extintos pois a única razão de sua existência é a sua especialização na caça e extermínio do povo negro das periferias.  A desmilitarização da PM é uma pauta concreta que já não pode mais ser evitada pelos governos pois a estrutura atual da polícia é um resquício odioso da ditadura, uma máquina de guerra voltada para repressão. Em seu lugar nós do PSTU propomos a criação de uma nova polícia civil unificada democraticamente controlada pelos trabalhadores pelas comunidades. A descriminalização e legalização das drogas é uma outra medida importante que numa ponta irá atingir os lucros do tráfico e na outra ponta eliminará a guerra às drogas, usada hoje como justificativa para ações de extermínio nas periferias.

Contudo, a violência tem suas raízes nas injustiças sociais e na desigualdade. Não se pode portanto, enfrentar plenamente essa situação sem que haja da parte dos governos um compromisso para criar condições dignas de vida. É preciso investimento público em saúde, educação, moradia, cultura, transporte, geração de emprego. Essa nunca foi a prioridade dos governos a velha direita e o PT lamentavelmente manteve essa lógica perversa de abandono.

O PSTU se solidariza com as famílias das vítimas e juntamos nossas vozes ao coro que exige do governo Rui Costa a devida investigação e punição de todos os envolvidos. O comportamento atual do governador, em especial quando vai a público defender e justificar ações como a praticada no Cabula, o torna cumplice de uma ação de violência institucionalizada contra o povo negro, pobre e trabalhador. Dessa forma o PT, outrora nascido no seio das lutas, demonstra como abandonou os ideais de combate as injustiças sociais entre os quais a luta intransigente contra a violência racista é parte fundamental da batalha a serviço da transformação da nossa sociedade.

Basta de genocídio da juventude negra!

Investigação e punição de todos os envolvidos na chacina do Cabula e nos assassinatos em Cosme de Farias e Sussuarana!

Pelo Fim da RONDESP e do batalhão de choque!

Desmilitarização da PM e criação de uma polícia civil unificada democraticamente controlada pelos trabalhadores!


Descriminalização e legalização das drogas!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Esse aumento não se justifica... Por outra lógica de Tansporte Coletivo!



                                            Juventude do PSTU, Salvador.

ACM Neto inicia o ano aumentando o preço da tarifa do ônibus em Salvador, passando de R$ 2,80 para R$ 3,00. Um aumento de R$ 0,20 em cada viagem de ônibus com certeza vai fazer diferença no final do mês no bolso do trabalhador soteropolitano num ano que já começou com anúncios de ajustes nos preços de vários itens, como, por exemplo, nas contas de energia elétrica. O pequeno aumento do salário mínimo não vai conseguir ser superior aos inúmeros reajustes e, por isso, não podemos simplesmente aceitá-los. A ampliação do preço das passagens de ônibus não se justifica e é necessário lutar para revogar esse aumento. 

Se quisermos sintetizar a realidade do Sistema de Transporte Coletivo de Salvador em uma palavra, o melhor adjetivo seria: desumano. Muitos trabalhadores chegam ao ponto de todos os dias, depois do cansaço do trabalho, esperar horas pra pegar o ônibus superlotado, com os passageiros espremidos desde antes da catraca, e ir em pé, no aperto, enfrentando horas de engarrafamento... nós, trabalhadores e estudantes, sabemos bem o sofrimento que é depender de ônibus nesta cidade. Somado a isso, as linhas são extremamente mal planejadas, voltadas muitas vezes não para atender da melhor forma as necessidades da população, mas para serem mais “rentáveis” aos empresários. Nos finais de semana os ônibus desaparecem. Sem falar nas condições das estações; a Lapa, por exemplo, a principal delas, hoje mais parece um cenário de filme de terror e ganhou nas últimas lutas a saudação mais do que apropriada: “a Lapa fede!".

O serviço de transporte coletivo de Salvador é um dos piores entre as grandes cidades, contraditoriamente pagamos a passagem mais cara do nordeste e uma das mais caras do país. Não vimos, nos últimos anos, esses recursos serem revestidos na melhoria efetiva do sistema de transporte da nossa cidade. Agora, ACM Neto quer justificar um reajuste da tarifa com um pequeno aumento da frota, que seguirá sendo extremamente insuficiente frente a demanda. Mas, por que antes de supostamente repassar tais custos pra passagem a prefeitura e o SETEPS (Sindicato das Empresas de Transporte) não revela quanto lucram os empresários do setor? As planilhas apresentadas tanto pelo SETEPS quanto pela Transalvador (órgão da prefeitura) são evidentemente irreais, e o conjunto dos dados das contas das empresas são praticamente secretos. Sem transparência nas contas não podemos aceitar nenhuma justificativa de aumento. O que está por trás do preço abusivo que hoje pagamos e das péssimas condições do serviço são os altos lucros de um pequeno grupo de empresários, que constituem uma verdadeira máfia de transportes. A favor desta máfia, agem o prefeito e secretários, porque essas mesmas empresas ajudam a financiar suas candidaturas.

A questão da mobilidade urbana tem se tornado um dos principais problemas nas grandes cidades. É preciso encarar esse tema com a devida seriedade que ele tem. Não é possível manter a mesma lógica que está claramente em crise hoje em Salvador e em todo o país. À medida que não se prioriza o transporte coletivo e de massas, não se cria alternativas que, combinadas com o ônibus, possam garantir o trânsito da população de forma rápida, eficiente e confortável. Cada vez mais, há um amento da quantidade de automóveis, e a resultante desse processo é que nossas cidades estão  se tornando intransitáveis. Nossos governantes, ao invés de fortalecer o transporte de massas e público para reverter esse processo, fazem o contrário: entregam a gestão dos transportes para empresas que não estão nem um pouco preocupadas com a qualidade do serviço, mas só pensam em uma coisa: Lucro, lucro, lucro! 
É isso que acontece hoje com nossa cidade. Não temos um transporte de massas: porque o metrô, que demorou 14 anos para ser finalizado, ainda não significa uma grande alteração da mobilidade em salvador. Além disso, está muito longe do percurso e da eficiência que nossa populosa cidade necessita. No que diz respeito aos ônibus coletivos, ACM Neto acaba de assinar um contrato de concessão do transporte público que aprofunda essa lógica do lucro acima das necessidades. Os mesmos empresários que prestam um péssimo serviço seguirão no controle por mais 25 anos com garantia de aumento das passagens todo ano. É o que estabelece o contrato de concessão assinado no último 23 de outubro. O primeiro aumento já foi estabelecido como presente de Ano Novo para nossa população. É preciso lutar pra mudar a lógica da mobilidade urbana em Salvador e no país! É possível e necessário um outro sistema de transporte público! 

REVOGAÇÃO JÁ!
ACM Neto, R$ 3,00 é um assalto! Pela revogação do aumento da tarifa já!

ABAIXO A MÁFIA DO SETEPS!
Auditoria das contas das empresas! Pela gradativa melhoria da qualidade e redução do preço das passagens, através da efetivação de um serviço público de transporte (100% estatal).

TRANSPORTE DE MASSAS JÁ!
Rui Costa: Ampliação do metrô e construção de novas linhas! Novas alternativas de transporte de massas em nossa cidade!

PASSE LIVRE JÁ BRASIL!
Dilma: Passe Livre pra estudantes e desempregados! 2% do PIB Nacional para o transporte já!

Ato contra o aumento da Tarifa, 02/01/15

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Esse aumento não se justifica! Por uma outra lógica de Transporte Público.


Juventude do PSTU, Salvador.



                                            
ACM Neto inicia o ano aumento o preço da tarifa do ônibus em Salvador de R$ 2,80 para R$ 3,00. Um aumento de R$ 0,20 a cada viagem de ônibus com certeza vai fazer diferença no final do mês no bolso do trabalhador soteropolitano num ano que já começou com anúncios de ajustes nos preços de vários itens, como nas contas de energia elétrica. O pequeno aumento do salário mínimo não vai conseguir ser superior aos inúmeros reajustes e por isso não podemos simplesmente aceita-los. A ampliação do preço das passagens de ônibus não se justifica e é necessário lutar para revogar esse aumento.

Se quisermos sintetizar a realidade do sistema de transporte coletivo de Salvador em uma palavra, o melhor adjetivo seria: desumano. Muitos trabalhadores chegam ao ponto de ter que todos os dias, depois do cansaço do trabalho, esperar horas pra pegar o ônibus superlotado, com os passageiros espremidos desde antes da catraca, e ir em pé, no aperto, pegando horas de engarrafamento... nós trabalhadores e estudantes sabemos bem o sofrimento que é depender de ônibus nessa cidade. Somado a isso as linhas são extremamente mal planejadas, voltadas muitas vezes não para atender da melhor forma as necessidades da população, mas para serem mais “rentáveis” aos empresários. Nos finais de semana os ônibus desaparecem. Sem falar nas condições das estações; a Lapa, por exemplo, a principal delas, hoje mais parece um cenário de filme de terror, e ganhou nas últimas lutas a saudação mais do que apropriada: “a Lapa fede!".

O serviço de transporte coletivo de Salvador é um dos piores entre as grandes cidades, contraditoriamente pagamos a passagem mais cara do nordeste e uma das mais caras do pais. Não vimos, nos últimos anos, esses recursos serem revestidos na melhoria efetiva no sistema de transporte da nossa cidade. Agora ACM Neto quer justificar um reajuste da tarifa com um pequeno aumento da frota, que seguirá sendo extremamente insuficiente frente a demanda. Mas porque antes de supostamente repassar tais custos pra passagem a prefeitura e o SETEPS (Sindicato das Empresas de Transporte) não revela quanto lucram os empresários do setor? As planilhas apresentadas tanto pelo SETEPS quanto pela Transalvador (órgão da prefeitura) são evidentemente irreais, e o conjunto dos dados das contas das empresas são praticamente secretos. Sem transparência nas contas não podemos aceitar nenhuma justificativa de aumento. O que está por trás do preço abusivo que hoje pagamos e das péssimas condições do serviço são os altos lucros de um pequeno grupo de empresários, que constituem uma verdadeira máfia de transportes, a favor de quem agem o prefeito e secretários porque essas mesmas empresas ajudam a financiar suas candidaturas.

 
A questão da mobilidade urbana tem se tornando um dos principais problemas nas grandes cidades. É preciso encarar esse tema com a devida seriedade que ele tem. Não é possível manter a mesma lógica que está claramente em crise hoje em Salvador e em todo o país. À medida que não se prioriza o transporte coletivo e de massas, não se cria alternativas que, combinada com o ônibus, possa garantir o trânsito da população de forma rápida, eficiente e confortável, cada vez mais, há um amento da quantidade de automóvel individual. A resultante desse processo é que cada vez mais nossas cidades se tornam intransitáveis. Nossos governantes, ao invés de fortalecer o transporte de massas e público para reverter esse processo, fazem o contrário, entregam a gestão dos transportes para empresas que não estão nem um pouco preocupadas com a qualidade do serviço, mas só pensam em uma coisa: Lucro, lucro, lucro!


É isso que acontece hoje com nossa cidade. Não temos um transporte de massas: porque o metrô, que demorou 13 anos para ser finalizado, ainda não significa uma grande alteração da mobilidade em salvador, está muito longe do percurso e da eficiência que nossa populosa cidade necessita. No que diz respeito aos ônibus, ACM Neto acaba de assinar um contrato de concessão do transporte público que aprofunda essa lógica do lucro acima das necessidades. Os mesmos empresários que prestam um péssimo serviço seguirão, por mais 25 anos controlando as linhas, com garantia de aumento das passagens todo ano. É o que estabelece o contrato de concessão assinado no último 23/10. O primeiro aumento já foi estabelecido como presente de Ano Novo para nossa população.


REVOGAÇÃO JÁ!ACM Neto, R$ 3,00 é um assalto! Pela revogação do aumento da tarifa já!


ABAIXO A MÁFIA DO SETEPS!Auditoria das contas das empresas! Pela gradativa melhoria da qualidade e redução do preço das passagens, através da efetivação de um serviço público de transporte (100% estatal).


TRANSPORTE DE MASSAS JÁ! 
Rui Costa: Ampliação do metrô e construção de novas linhas! Novas alternativas de transporte de massas em nossa cidade!


PASSE LIVRE JÁ BRASIL!
Dilma: Passe Livre pra estudantes e desempregados! 2% do PIB Nacional para o transporte já!







domingo, 14 de dezembro de 2014

ACM Neto: o que as pesquisas não dizem, a realidade nos conta

|Por Jean Montezuma, direção estadual do PSTU

Em recente entrevista a um programa de rádio onde foi indagada a respeito da prefeitura de ACM Neto, a presidente do PSTU Salvador, a bancária Renata Mallet, respondeu dizendo: “A gestão de João Henrique deixou Salvador entregue as baratas. Por isso qualquer movimento da gestão de Neto tem impacto imediato”. Renata resumiu muito bem qual era o sentimento que pairava na cidade após os dois mandatos desastrosos de João Henrique, abandono. Vale lembrar que ACM Neto foi um cabo eleitoral decisivo na reeleição de João Henrique em 2008, quando o ex-prefeito era do PMDB de Geddel. Já o PT, compôs o primeiro governo de João Henrique assumindo secretarias. Ou seja, DEM, PMDB e PT são corresponsáveis pelo (DES)governo do nada saudoso João.

A tônica do mandato de ACM Neto tem sido recolocar a cidade nos “eixos”, leia-se, fazer com que aqueles que sempre tiveram privilégios voltem a encher seus bolsos como nunca, as custas da profunda desigualdade que há em nossa cidade. No “reino” do prefeito “Netinho” Salvador é vendida como a cidade do turismo, como diz o ditado popular, pra “inglês vêr”. A política das prefeituras bairro se converteu numa ótima estratégia para gerar uma falsa sensação de participação. O povo fala, a prefeitura finge que escuta e, consequentemente, faz aquilo que bem entende, deixando de intervir nos problemas estruturais que, se resolvidos, poderiam verdadeiramente mudar a vida das pessoas.

A prefeitura gasta milhões em propaganda mas em nenhuma delas será mostrada que várias escolas da rede municipal tem funcionado em containers! Ou que após 3 anos nenhuma única creche foi construída. A maquiagem superficial de ACM Neto se desmanchou rapidamente com as chuvas que no primeiro semestre mataram 21 pessoas. 21 moradores da periferia que não tiveram tempo de usufruir, por exemplo, da nova orla da Barra que tanto orgulha o prefeito.

Ao longo do ano várias pesquisas de opinião tem indicado ACM Neto como melhor prefeito do Brasil. Os índices de aprovação do prefeito nessas pesquisas chegam ao patamar de 79%. Será mesmo? Não subestimamos que o populismo de Neto, que ele aprendeu muito bem com o avô, empalme num setor expressivo da população. Ao menos no discurso, ACM Neto diz governar para todos, filho genuíno da burguesia tenta a todo momento criar artificialmente uma identidade com os setores mais populares. A seu favor tem um império de mídia da sua família com TV, jornal impresso, portal de internet, rádio, todo tipo de mídia a serviço da blindagem do seu governo e da construção de sua imagem como político do povo, “acima das classes”.

No entanto, o recente processo eleitoral para o conselho tutelar demonstrou que o quadro não é bem esse. Candidaturas apoiadas por aliados de ACM Neto, como o secretario municipal Bruno Reis(PMDB) e o vereador Léo Prates(DEM), sofreram derrotas importantes em bairros da periferia da cidade, como Cajazeiras por exemplo. Bairros que não aparecem nos pacotes vendidos pelas empresas de turismo. Logo, não é verdade que a prefeitura de Neto seja unanimidade, tão pouco que a esquerda socialista, os trabalhadores e a juventude negra não tenham motivos pelos quais lutar contra a política aplicada pela prefeitura do DEM.

No entanto, se toda desconfiança é pouca em relação a ACM Neto e seus aliados da casa grande, também devemos rejeitar aqueles que se comportam como capatazes. O PT de Rui Costa e Dilma não é alternativa para Salvador. O governador petista essa semana mandou a PM agredir estudantes e professores que se manifestavam contra medidas do governo que atacam a educação e o funcionalismo público. A mesma PM que bateu nos manifestantes no CAB, é a que mais mata no Brasil promovendo atrocidades como a chacina do Cabula, apoiada por Rui Costa. Não a toa o governador recebeu de setores do movimento negro o “prêmio” FUZIL DE OURO e, é chamado pelos ativistas dos movimentos sociais como RUIM Costa.

O PSTU defende que as trabalhadoras e trabalhadores, maioria absoluta do povo de Salvador, trilhem no cotidiano de suas lutas um caminho independente da direita e também do PT. Só conformando um campo de classe independente será possível derrotar com nossa mobilização projetos reacionários como o novo PDDU de ACM Neto, a faxina étnica da prefeitura que expulsa o povo negro e pobre do centro para dar lugar a especulação imobiliária, e a privatização desenfreada que pretende transformar nossa cidade num verdadeiro Shopping a céu aberto.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Só discurso não basta. Sobre a possível indicação de Katia Abreu para o Ministério da agricultura.


Gabriela Mota,
Juventude do PSTU/Bahia.




Já se passou  um mês das eleições presidenciais mais polarizadas desde 1989. A vitória apertada do governo Dilma/PT anuncia um cenário de maior polarização e enfrentamentos políticos no próximo período. O cenário econômico é cada vez mais instável. O FMI e o “mercado financeiro” já apresentaram ao governo suas pautas econômicas: ajuste fiscal e corte nos gastos sociais. Essa será a tônica do próximo período. O governo Dilma já está dando claros sinais de que lado vai estar. Nessas eleições o povo queria mudanças para melhor, no entanto o governo vem dando demonstrações de que a politica econômica vai seguir a mesma, o que significa menos dinheiro para saúde, educação, reforma agraria etc. Alguns analistas já preveem um corte de 100 bilhões de reais do orçamento. Novamente os milhões de trabalhadores que votaram no PT para evitar a volta da direita não terão suas reivindicações atendidas.

Para onde vai o governo DILMA?
A tão propagada guinada à esquerda do governo não saiu do papel, como imaginavam algumas correntes politicas, como a CONSULTA POPULAR e o MST. Terminada as eleições o governo tem feito demonstrações claras do que será o segundo mandato da Dilma. As primeiras medidas do governo vão no sentido contrário ao que esperavam os trabalhadores, a juventude e os movimentos sociais. A provável indicação de representantes dos banqueiros e do agronegócio nos ministérios da fazenda e da agricultura foi um grande balde de água fria naqueles setores que acreditavam em uma possível guinada à esquerda governo.
Os escândalos de corrupção na PETROBRAS, o aumento do preço da gasolina e as possíveis nomeações de Joaquim Lewy para o ministério da Fazenda e de Katia Abreu a pasta da Agricultura, ambos representantes do grande capital financeiro e do agronegócio, demonstram o que esperar do próximo governo Dilma. A decepção em alguns setores da sociedade já é visível.

Tudo para o agronegócio, migalhas para reforma agraria!
 São sintomáticas as declarações do colunista da Veja, Ricardo Azevedo, um claro representante da direita reacionária no Brasil, onde faz elogios ao governo Dilma pela indicação da senadora e representante do agronegócio, Katia Abreu. Para Azevedo “na área do agronegócio, propriamente o governo se comportou bem”. A indicação de Katia Abreu provocou a ira e a indignação dos movimentos sociais, em particular do MST e sectores do PT. Nessa semana cerca de 2000 jovens ligados ao MST ocuparam uma fazenda que cultiva milho transgênico com o objetivo de “denunciar o modelo do agronegócio, defendido amplamente pela bancada ruralista, e que tem a senadora Katia Abreu como referencia politica” (Nota no site do MST “Juventude ocupa fazenda de milho transgênico no Rio Grande do Sul”, 22 de novembro de 2014.).
É justa a indignação e o rechaço contra a indicação de Katia Abreu, no entanto é necessário ir além.  Não basta apenas questionar uma figura, mas o conjunto da politica econômica que os governos Lula e Dilma vêm aplicando no país desde 2003. Lamentavelmente o governo fez sua opção de governar com os setores mais reacionários e retrógrados da politica brasileira, como Collor, Sarney, Katia Abreu etc. O próprio Lula havia indicado o presidente do Bank Of Boston, Henrique Meireles, para assumir o Banco Central e o representante do agronegócio, Roberto Rodriguez para assumir o ministério da agricultura. Os banqueiros, o agronegócio e as construtoras foram os maiores beneficiários dos 12 anos de governo do PT. Enquanto isso, a tão esperada reforma agraria não saiu do papel e Dilma vai entrar para historia como um dos governos que menos assentou famílias.

Dilma, Cadê a Reforma agraria?
O membro da coordenação nacional do MST, Alexandre Conceição, denunciou que “o governo Dilma foi o pior para reforma agraria. Assentou pouco, ou quase nada, e foi tomado pelo agronegócio, a quem se aliou” (MST diz que governo Dilma foi o pior para reforma Agraria, O GLOBO, 04/02/2014). Existem aproximadamente 200 mil famílias acampadas nas beiras das estradas a espera de um pedaço de terra. Essa realidade contrasta com os inúmeros benefícios concedidos pelo governo aos latifundiários e ao agronegócio no país.

Não basta ser contra Katia Abreu! É preciso retomar o caminho da luta pela reforma agraria.
O recente manifesto assinado por intelectuais e organizações politicas (o MST, a Consulta Popular/Levante Popular da Juventude e membros do PT) denuncia que “os rumores de indicação de Joaquim Levy e Kátia Abreu para o Ministério sinalizam uma regressão da agenda vitoriosa nas urnas. Ambos são conhecidos pela solução conservadora e excludente do problema fiscal e pela defesa sistemática dos latifundiários contra o meio ambiente e os direitos de trabalhadores e comunidades indígenas”.
No entanto é preciso ser consequentes na critica e no enfrentamento. Não podemos gerar ilusões e amarrar o conjunto dos movimentos sociais ao governo com o discurso de que estamos frente a um governo em disputa. A opção do governo e do PT é muito clara. Por isso não basta apenas ser contra a indicação de Katia Abreu. Esse é apenas o primeiro passo, é preciso que a esquerda socialista, os movimentos sociais, a juventude construa uma grande campanha nacional de denuncia da politica econômica do governo que beneficia os banqueiros e o agronegócio. Para ser consequentes é preciso que as direções do MST e da Consulta Popular rompam com o governo Dilma e retomem o caminho da luta e da mobilização direta, como fizeram outrora contra os governos do PSDB. Infelizmente não é isso o que veem demonstrado as direções dessas organizações. Se o governo mantiver essas indicações, qual será a postura do MST e da Consulta Popular?

 Com a palavra os companheiros e companheiras do MST e da Consulta Popular.