ACM Neto: o que as pesquisas não dizem, a realidade nos conta

No “reino” do prefeito “Netinho” Salvador é vendida como a cidade do turismo, como diz o ditado popular, pra “inglês vêr”

Governador Rui Costa (PT): caviar para a classe média e os turistas, lata de sardinha para os trabalhadores

O governador do PT declara que é preciso criar linhas especiais para atender um setor da classe média que não se sente atraída pelo transporte coletivo de Salvador.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Administrações do PT em Camaçari se afundam em escândalos de corrupção

Enquanto isso, os serviços públicos vivem uma grave crise

|Professor Carlos Nascimento, Presidente do PSTU Camaçari/BA

Seguindo os tristes exemplos de figuras nacionais do PT e do Governo Dilma,  envolvidas em escândalos de corrupção, que estão sendo investigados especialmente nas obras da Petrobrás, as administrações do PT na Prefeitura de Camaçari também estão metidas em um verdadeiro "mar de lama".

Depois do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) condenar a direção do Projeto "Cidade do Saber" por um desvio de verbas que superou 7 milhões de reais, agora o mesmo TCM rejeitou as contas do último ano de mandato do ex-prefeito petista e atual deputado federal, Luiz Caetano.

Nas eleições do ano que vem, Caetano quer voltar a Prefeitura de Camaçari, mas já foi multado pelo escândalo na Cidade do Saber e agora foi condenado a devolver uma grande quantia aos cofres públicos - 4,5 milhões de reais. Ele ainda vai recorrer da sentença, mas estes escândalos de corrupção são mais uma demonstração que o PT passou a governar da mesma forma que os partidos da velha direita, como DEM, PSDB e PMDB.

Na atual prefeitura assistimos a um caos nos serviços públicos. Na saúde, os postos de atendimento sofrem com falta de materiais, e os profissionais tem dificuldade inclusive de garantir os exames de mamografia da campanha do Outubro Rosa.

Na educação, os professores estão precisando retomar as mobilizações e paralisações, porque a prefeitura vem descumprindo acordos salarias com a categoria.

Nem o atual prefeito Ademar nem Caetano, ambos do PT, ou Elinaldo e Tude, dos partidos da velha direita, são alternativas de mudança para o nosso povo. Afinal, todos de alguma forma já administraram Camaçari e nada fizeram para melhorar a vida dos trabalhadores, da juventude e da maioria da população. É necessário construirmos uma alternativa verdadeiramente da classe trabalhadora, a partir das nossas próprias mobilizações, realmente de esquerda e socialista, que supere o fracasso das administrações petistas, mas que combata com a mesma força os partidos da velha direita, que querem voltar para a Prefeitura. Uma alternativa que, entre outras propostas, defenda a prisão e o confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores e, da mesma forma, a perda dos mandatos de todos os políticos comprovadamente envolvidos em corrupção.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Metalúrgicos e professores unificam manifestação em Camaçari



|Por Matheus Quadros, bancário e militante do PSTU Camaçari

A manhã desta terça-feira, 20/10, foi marcada por um importante ato em Camaçari que reuniu diversos trabalhadores e trabalhadoras do complexo Ford e também professores e professoras do município.

A mobilização metalúrgica é uma reação ao indicativo da empresa de demissão de cerca de 1500 trabalhadores. Já os professores cobravam o cumprimento do acordo firmado ao fim da campanha salarial e exigiam que não fossem repassados à educação municipal os efeitos da crise econômica.

Ambas as categorias escolheram o dia de hoje para lançar a mobilização pois o presidente da Ford visitou a cidade, juntamente com o governador petista Rui Costa, para o lançamento de um programa de estágios.

Um momento muito bonito marcou a manifestação, quando a passeata dos professores se aproximou, juntos metalúrgicos e docentes cantaram palavras de ordem, demonstrando o sentimento da necessidade de uma atuação conjunta entre as mais diversas categorias contra a política nacional de ajuste fiscal e contra as demissões.


A CSP Conlutas esteve presente com bancários em greve, professores e metalúrgicos. O professor Carlos Nascimento, representando a CSP CONLUTAS convocou a unidade entre as categorias, afirmando que "só uma greve geral poderá impor uma derrota ao ajuste fiscal".


Nós acreditamos que o ato de hoje é um exemplo que podemos unir forças contra os ataques do governo, contra o ajuste fiscal e contra os ataques aos direitos e empregos dos trabalhadores. É também um exemplo da disposição que trabalhadores e trabalhadoras tem para lutar e alcançar conquistas importantes.

O governador pressionado pela mobilização já indicou que ajudará nas negociações, mas a empresa ainda não se manifestou. Por isso, acreditamos que é importante que a diretoria do sindicato, em conjunto com as outras centrais e categorias proponha um calendário de mobilizações e que juntos possamos impor essa derrota ao projeto de cortes de emprego na Ford, assim como ao ajuste fiscal do governo Dilma, do governo Rui Costa e em especial aos ataques impostos pela prefeitura de Ademar em Camaçari.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Polêmica: a conjuntura nacional e as tarefas da esquerda socialista



Durante a heroica greve da Universidade Federal da Bahia (UFBA), se estabeleceram importantes discussões sobre a conjuntura nacional e as tarefas da classe trabalhadora e da esquerda socialista na complexa situação por que passa o nosso país.

Muitas discussões políticas importantes ocorreram nas reuniões do Comando de Greve e nas Assembleias Gerais de Professores e Estudantes.

O Blog PSTU Bahia reproduz uma dessas importantes discussões polêmicas entre os professores da UFBA: CARLOS ZACARIAS (História) e LUIZ FIGUEIRAS (Economia).

Ambos são críticos ferrenhos dos governos de Lula e de Dilma e, da mesma forma, da oposição burguesa da velha direita. Zacarias é militante do PSTU e Filgueiras um destacado aliado da esquerda socialista.

Mas, essa coincidência política não significa que eles concordem em todos os aspectos da análise da situação e da conjuntura e nem sobre todos os caminhos que devem ser adotados pela esquerda socialista.

Os dois primeiros artigos publicados, se referem as polêmicas nas discussão que levaram os professores da UFBA rejeitarem, em assembleia, a participação nas manifestações organizadas principalmente pela CUT., MST, UNE e a CTB, no dia 20 de agosto.

E, continuam, nos últimos artigos, discutindo o real significado da Marcha Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras, convocada pela CSP Conlutas e as entidades e movimentos que participam do Espaço de Unidade de Ação, realizada no dia 18 de setembro, em São Paulo.

O “pano de fundo” das polêmicas são a crise econômica que vive o nosso país e a crise política por que passa o governo Dilma; e a postura que a esquerda socialista deve ter em relação a este governo de conciliação de classes.

Boa leitura!

TEXTOS DO PROFESSOR FILGUEIRAS -

TEXTOS DO PROFESSOR ZACARIAS -

domingo, 18 de outubro de 2015

Analisando essa cadeia hereditária: o índice de desemprego entre jovens

|Por Priscila Costa, da Juventude do PSTU Bahia

Aquela máxima baiana do “não tá fácil pra ninguém” nunca foi tão verdade nesses tempos de crise. No início do mês passado recebi a notícia de que o grupo de pesquisa que fazia parte iria sofrer corte orçamentário e, por consequência, perderia a minha bolsa de estágio. Notícia dura e triste.

Outubro pra mim começa com uma ansiedade louca atrás de vagas de estágio e a angústia imensa que oscila num íntere de: por um lado, economizar e fazer milagre com o pouco dinheiro que se tem e, por outro, aquela preocupação de saber que no próximo mês não vai ter dinheiro na conta. Isso poderia ser um desabafo sobre minhas dificuldades pessoais, mas a situação ganha um outro patamar quando sei que esse drama não é só meu.

Tem o pai da vizinha que foi demitido, a amiga que também perdeu o estágio, o irmão que foi demitido e – com as reformas nos direitos trabalhistas – não teve acesso ao seguro desemprego, dezenas de colegas formados que não conseguiram entrar no mercado de trabalho. E o que não faltam são exemplos. É todo dia um que vem daqui e dali.

Nenhum desses casos são isolados. Nenhum deles é por incompetência, falta de vontade de trabalhar ou coisa do tipo. Todos esses casos ganham forma quando olhamos os números. E os dados são pesados. Segundo o relatório que a própria OIT (Organização Internacional do Trabalho) publicou nesse mês de outubro, o desemprego entre jovens no Brasil esse ano deve superar a média internacional. Estima-se que o aumento da taxa de desemprego para aqueles brasileiros entre 14 e 24 anos deve atingir um número superior a 15,5%, enquanto a previsão internacional é de 13,1%. [1]

Uma das últimas pesquisas do IBGE, no primeiro semestre desse ano, já mostrava como alta a taxa geral de desemprego em seis regiões metropolitanas do País (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) dando um salto negativo de 6,4%. [2] Alarmantemente, entre os jovens, essa taxa foi duas vezes e meia maior, ultrapassando os 16%. [3] Em linhas gerais, esses números ainda são superficiais e certamente escondem uma série de nuâncias. Mas, ainda assim, eles apontam uma situação muito nítida: quem tá pagando pela crise que estamos vivendo é a juventude, os trabalhadores e as trabalhadoras.

Em consonância com isso, os banqueiros e grandes empresários estão lucrando como nunca. Pra completar, uma série de ataques aos nossos direitos estão sendo implementadas todos os dias pelo governo e pelo congresso. Uma pior que a outra. Para o futuro dos jovens trabalhadores brasileiros a tendência é trabalho cada vez mais precarizado. Medidas como a PL da Terceirização, que vai acabar com o concurso público, e as reformas na previdência que deixará cada vez mais distante a aposentadoria, desenham essa expectativa.

Em diálogo com o futuro incerto, a precarização também já tem reflexos no presente. Com as reformas nos direitos trabalhistas apresentadas por Dilma no final do ano passado, o acesso ao seguro desemprego endureceu ainda mais. Jovens que estão nos trabalhos de maior rotatividade – como é o caso do call center e telemarketing – são um dos setores que mais sentem e se prejudicam. Na grande parte das vezes estão no grosso dessa fila mulheres negras e LGBTs.

A conjuntura sofrida nos empurra para um caminho: lutar pra reverter essa realidade perversa. A juventude e os trabalhadores não tem mais porque confiar em nenhum desses que estão aí. Não temos mais nenhum motivo para defender um governo nos ataca e nos dá golpes todos os dias.

Precisamos dizer basta! Precisamos construir nas lutas, nas mobilizações e numa greve geral as nossas próprias alternativas. Basta de desemprego! A juventude e os trabalhadores não vão pagar pela crise! Essa conta não é nossa! Abaixo o ajuste fiscal! Basta de Dilma, Aécio, Cunha e Temer!

Referências

[2] Folha de São Paulo. In:

[3] Bahia Notícias. In:
 http://www.bahianoticias.com.br/estadao/noticia/83645-desemprego-ja-atinge-jovens-de-maior-escolaridade.html, acesso em 16 de outubro de 2015.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

15 de outubro, dia de luta por uma educação pública de qualidade na Bahia e no Brasil

No dia do professor e da professora, é necessário chamar os educadores e as educadoras à luta contra o ajuste fiscal da presidente Dilma (PT) e do governador Rui Costa (PT), e em defesa da educação pública no Brasil e na Bahia

|Por Professor Zé Roberto, PSTU Itabuna/BA

“Começou a chamada para o ‘Educar para transformar’, um pacto pela educação. E sabe quem vai participar? Todo mundo. O desafio é melhorar o ensino público na Bahia. O governo vai trabalhar muito e com a participação das famílias, prefeitos, estudantes e professores e empresários. Sabe quem vai aprender mais e mais? Quando todos se juntam a educação melhora. Governo do Estado Bahia. Terra mãe do Brasil.” (Propaganda do governo da Bahia veiculada na TV)

Quem é estudante, professor ou funcionário das escolas públicas devem ter tomado um susto com a propaganda do governo veiculada na TV e rádio sobre a educação pública na Bahia. Nessa propaganda aparecem escolas bem cuidadas, cheias de recursos tecnológicos, alunos e professores felizes, enfim uma propaganda longe da verdadeira situação das nossas escolas. Uma realidade fictícia, como um filme de Holywood ou um sonho. Mas acalmem-se, trata-se de mais uma peça publicitária do governo Rui Costa do PT distante da realidade. É pura ilusão criada para nos enganar. Essa campanha publicitária nada tem a ver com a realidade da educação pública baiana. Esconde os professores e funcionários terceirizados, amargando meses de salários atrasados e ganhando uma miséria; não mostra as escolas sem merenda com os alunos tendo que ser liberados mais cedo; não fala da estrutura física precária dos prédios escolares e da falta de verbas para comprar materiais básicos.

O chamado “Educar para transformar: um pacto pela educação” é uma campanha midiática lançada na televisão e no rádio com o lema ‘Quando todos se juntam a educação melhora’. Nessa campanha, o governo Rui Costa, que sistematicamente corta verbas da educação e precariza o trabalho de professores e funcionários das escolas, diz, que basta que os pais de alunos, a direção e os professores se unam, que a educação pública será melhorada. É a mesma ladainha de sempre, que tenta jogar a crise da educação nas costas dos professores e das famílias, enquanto o governo prioriza os recursos públicos para os banqueiros e grandes empresas.

Ao mesmo tempo que o governo Rui Costa gasta milhões em peças publicitárias para enganar o povo, a educação pública na Bahia está jogada no caos. Na capital e no interior, as escolas se assemelham a presídios superlotados, onde os professores são obrigados a arcar com o próprio bolso materiais para utilizar em salas de aula. A maior parte das escolas não contam com bibliotecas ou sala de leituras, quadras de esporte, auditórios ou merenda. O governo diz na propaganda que o problema só será resolvido com a participação de todos no tal pacto pela educação, mas em nenhum momento fala de sua participação e de seu dever em garantir uma escola pública de qualidade. É como se o governo não existisse e as escolas não dependessem de recursos para garantir a qualidade do ensino.

Diante de toda a situação de caos na educação pública em nosso estado, que todos nós professores e estudantes conhecemos bem, a direção da APLB-Sindicato utiliza de todos os meios para impedir os professores de irem à luta contra o governo. Enquanto neste ano pipocaram greves de professores por todo o Brasil, a APLB-Sindicato utilizou de todas as manobras possíveis para impedir a mobilização dos professores na Bahia. Desde a última greve da educação básica contra o governo do PT de Wagner em 2012, que fugiu do controle dos pelegos, que essa diretoria tenta criar inúmeros obstáculos para que a categoria possa decidir sobre suas lutas. Em 2013, num congresso fajuto e ilegítimo mudou o estatuto da entidade para retirar as decisões da assembleia geral e dividir a categoria entre capital e interior, dando mais peso às regionais do interior que reúnem o menor percentual de professores. Com essa mudança impede que a categoria se unifique pra lutar de maneira conjunta, deliberando e decidindo suas ações numa assembleia geral. E a velha fórmula utilizada pelos inimigos dos trabalhadores de dividir para impedir a luta. Enquanto este ano os professores das universidades estaduais fizeram uma greve forte e vitoriosa contra o governo Rui Costa, a diretoria da APLB-Sindicato, além de impedir uma luta conjunta, jogou peso e impôs um acordo rebaixado com o governo que não garante nem a reposição da inflação. Tudo isso por que a APLB é dirigida há décadas pelo PCdoB, o cão de guarda dos governos petistas na Bahia.

É necessário construir outra ferramenta que possa organizar a luta dos professores para derrotar a traição dos pelegos da APLB-Sindicato e o governo de Rui Costa. A APLB-Sindicato e sua direção é amplamente rejeitada pela categoria dos professores pelo seu governismo e suas constantes traições e manobras para proteger os governos petistas.

O PT não mudou a lógica de fazer política em nosso estado e repete as injustiças dos governos carlistas. Se na época em que a direita governou a Bahia a educação e os serviços públicos foram duramente atacados, com os três mandatos do PT não está sendo nada diferente. Nós professores e servidores sofremos duros ataques. Fizemos greves e fomos criminalizados pelo governo Wagner, que desrespeitou a Lei do Piso Nacional do Magistério. Depois de dois mandatos de Wagner, e do primeiro ano do governo Rui Costa, a violência no estado só cresce. Os jovens negros tem 3,5 vezes mais risco de morte por violência do que os brancos. Mais mulheres são vítimas de estupro e da violência doméstica. O povo pobre vive uma guerra na periferia das cidades, a violência policial só vem aumentando. A resposta que a sociedade baiana teve foi privatização e o sucateamento dos serviços públicos de educação e saúde e o aumento da repressão policial. Com o BOPE de Rui Costa nas ruas mais chacinas como a do Cabula virão e o genocídio da juventude negra vai aumentar. É essa política de genocídio que o governo do PT quer aprofundar na Bahia.

Este ano a presidenta Dilma cortou 9 bilhões do orçamento da educação e na Bahia houve uma redução do orçamento da educação em R$ 264 milhões comparado com o ano passado. Nosso estado garante milhões em isenções fiscais as grandes empresas e empreiteiras, enquanto o povo baiano tem cada vez mais a educação pública deteriorada, com seus profissionais desvalorizados e trabalhando de maneira precária.

O dia do professor é uma data que remete a luta por uma educação pública de qualidade. Uma data que coloca para nós professores a necessidade de enfrentarmos os inimigos da educação pública que são os governos sejam do PT, DEM, PSDB, PMDB e todos os seus lacaios. Precisamos enfrentar o governo Dilma e seu ajuste fiscal que joga a crise econômica nas costas dos trabalhadores e corta as verbas da educação para continuar pagando religiosamente a dívida pública aos banqueiros com nosso suor e sacrifício. Nós professores temos força e ao lado do conjunto da classe trabalhadora de nosso estado. Temos que continuar nossa luta e nossa mobilização para conquistar uma educação pública de qualidade do tamanho de nossos sonhos.

Neste dia 15 de outubro em que se comemora-se o dia do professor, a grande mídia e os governos usarão esse dia mais uma vez para difundir suas mentiras e suas ilusões colocando o professor ora como um sacerdote, ora como um culpado pelo caos da educação. Para além de qualquer discurso corporativista é preciso dizer que nós professores somos fortes e mais do que ninguém temos muitos motivos para lutar contra os governos que atacam a educação pública e contra o sistema capitalista que joga todo o peso da crise social e econômica em nossas costas.

Os governadores e prefeitos que na campanha eleitoral falavam em priorizar a educação hoje se juntam numa cruzada para rebaixar o índice de reajuste do Piso Nacional, cortar verbas da educação e priorizar os interesses dos banqueiros e grandes empresários. A luta de nossos companheiros professores do Paraná este ano, que foram massacrados pelo governo de Beto Richa do PSDB, é um exemplo de que tanto o PT de Dilma, como o PSDB de Aécio, ou o PMDB de Cunha e Renan e este congresso de picaretas merecem o repúdio do povo e tem que ser botados para fora.

Nós professores da Bahia lutamos incansavelmente em 2012 com 115 dias de greve contra a truculência do governo de Jaques Wagner (PT) que cortou por 4 meses nossos salários e tentou nos matar de fome. Mas resistimos, apesar das 8 companheiras que morreram vítima da crueldade deste governo. Agora, o governo de Rui costa segue a mesma linha, cortando da educação para dar para os ricos. O dia 15 de outubro será um dia nacional de lutas em defesa da educação pública e de seus profissionais. Haverá atos no Brasil inteiro para denunciar os ataques de Dilma, dos governadores e prefeitos à educação pública. Os professores e trabalhadores irão às ruas para lutar contra o ajuste fiscal e contra os cortes na educação pública. São os ricos é que devem pagar pela crise.

Em Camaçari, a educação não pode pagar pela crise

No dia d@s professor@s, não temos nada a comemorar!

|Por Professor Carlos Nascimento, Presidente do PSTU Camaçari/BA

Diante do agravamento da crise econômica brasileira, com reflexos negativos já sentidos na arrecadação municipal e nos repasses de verbas federais e estaduais, a Prefeitura de Ademar Delgado (PT) já demonstra qual será sua política para enfrentar esse quadro de dificuldade: jogar o peso da crise somente sobre os ombros da maioria da população, e dos servidores públicos municipais em particular.

Até o momento não vimos nenhuma medida que acabe com as isenções fiscais municipais para as grandes empresas instaladas na Cidade, que seguem lucrando muito e pagando impostos muito baixos. E, o que é pior, essas empresas que recebem incentivos do poder público, frente a uma pequena diminuição de suas margens de lucro, que são exorbitantes, já começam a demitir uma parte significativa de seus trabalhadores e trabalhadoras. Um absurdo!

Da mesma forma, não se mexe em nada nos enormes privilégios dos políticos municipais, que recebem altos salários, tanto na Prefeitura como na Câmara dos Vereadores. De forma populista, Ademar reduziu em apenas 10% o seu salário e de seus secretários, somente até o final do ano. Mas, isso não muda nada. Quero ver esses políticos viverem um mês sequer com um salário que recebe um professor ou uma professora da nossa cidade. Isso sim, seria enfrentar os seus próprios privilégios.

E a corrupção segue desviando o dinheiro público que deveria ser investido, por exemplo, na educação e na saúde públicas.  Somente na Cidade do Saber, o Ministério Público estima um desvio de 7,5 milhões de reais, e já condenou o ex-Prefeito e atual deputado federal Luiz Caetano (PT) a pagar uma multa de dez mil reais e a atual diretora do projeto, Ana Lúcia Alves, a devolver aos cofres públicos mais 800 mil reais.

A incompetência da Prefeitura e da maioria esmagadora dos Vereadores é tanta que assistimos outro absurdo, que foi o atraso na aprovação do Plano Municipal de Educação (PME), que foi aprovado somente no fim do mês de setembro, após pressão dos próprios professores, que realizaram uma manifestação na Câmara de Vereadores.

O simples atraso da aprovação do PME, já significou que esse ano nossa Cidade ficou sem a construção de pelo menos 11 creches e várias quadras poliesportivas. O que poderia pelo menos minorar a grave situação de carência de creches públicas em Camaçari e da falta de espaços de lazer e de esporte para a nossa juventude.

Mais uma demonstração que esses políticos que sempre se revezam no poder, sejam eles do PT, PMDB, PSDB, DEM, entre outros, não estão nem aí para os graves problemas da população mais pobre e carente da nossa cidade.

E os desmandos não param por aí. No mês de outubro, às vésperas do dia que se comemora o dia dos professores e professoras, o prefeito Ademar, repetindo a mesma receita anti-trabalhador da presidente Dilma, sua aliada de partido, através de uma nota informou o descumprimento de acordos acertados no final da greve dos professores do município, como o pagamento do retroativo referente ao reajuste do auxílio alimentação, transporte e do projeto de incentivo a qualificação profissional.

Os professores já contavam com o pagamento destes retroativos, afinal eles são parte de seus direitos trabalhistas e a prefeitura tinha se comprometido com eles. Os retroativos eram uma pequena forma de minorar o arrocho salarial dos educadores da nossa cidade, que já viram seus salários serem diminuídos em 2,17%. Isso levando em conta a inflação oficial, pois na verdade, sabemos que a nossa perda é ainda maior, pois a inflação real, na conta de luz, de água, no preço da gasolina e dos alimentos, é de fato muito maior.

Por todos esses absurdos, dizemos em alto e bom som: no dia d@s professor@s nem os educadores e nem a maioria da população têm nada a comemorar! Pois a educação pública, segue sendo prioridade somente nos discursos dos políticos, mas na prática é só abandono.  Faltam escolas, creches e espaços de cultura e lazer para a maioria da população, especialmente para a juventude. E @s professor@s têm seus salários arrochados, seus direitos trabalhistas desrespeitados e ainda exercem sua profissão em condições ainda muito ruins.

Ano que vem teremos novas eleições municipais, e vamos ver os mesmos candidatos de sempre, sejam eles Caetano, Ademar, Tude ou Elinaldo, repetindo as suas promessas enganosas, que não serão cumpridas quando chegam no poder.

Para enfrentar de fato toda essa situação de descaso e desrespeito com a educação e demais áreas sociais só podemos confiar mesmo na força da organização e da mobilização dos trabalhadores e da maioria da população. É necessário manter a categoria mobilizada, pois a prefeitura seguirá nos atacando. Por isso, vamos tod@s à assembléia no dia 16.10 traçar estratégias em defesa de nossos direitos e que apontem para novas conquistas. Somente com a intensificação das nossas lutas vamos impor a eles o atendimento de nossos direitos e reivindicações.