ACM Neto: o que as pesquisas não dizem, a realidade nos conta

No “reino” do prefeito “Netinho” Salvador é vendida como a cidade do turismo, como diz o ditado popular, pra “inglês vêr”

Governador Rui Costa (PT): caviar para a classe média e os turistas, lata de sardinha para os trabalhadores

O governador do PT declara que é preciso criar linhas especiais para atender um setor da classe média que não se sente atraída pelo transporte coletivo de Salvador.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Lutamos ainda hoje por uma verdadeira liberdade!

Caroline Sales e Jean Montezuma.
Secretaria de negras e negros Salvador.

13 de maio de 1888, há 126 anos a princesa Isabel assinava a lei Áurea e entrava para história como autora do gesto benevolente que libertou milhões de negros e negras do tormento da escravidão. Essa história que nos é contada nos livros, é a história que a elite branca forjou para tentar invisibilizar a luta que os negros e negras travavam contra o julgo da escravidão, uma luta que naquela altura, fins do século XIX, já havia lançado o sistema escravocrata brasileiro numa profunda crise.

Foram os negros, e não a princesa Isabel representante da elite monárquica, os protagonistas da luta contra escravidão. Centenas de milhares que se aquilombaram, que resistiram, que sofreram com os açoites dos capitães do mato. Por isso até hoje o movimento negro celebra o 20 de novembro, não o 13 de maio, como verdadeira data símbolo da luta negra. Luta que segue mais atual do que nunca contra o racismo que corrói como um câncer a nossa sociedade vitimando diariamente negros e negras seja pelas balas da policia e dos grupos de extermínio, seja pelo abandono por parte do Estado e dos governantes.

Após 11 anos de governo do PT os dias melhores tão prometidos não vieram. No governo federal o partido dos trabalhadores manteve a mesma orientação política do PSDB/DEM e outros partidos da direita tradicional. A política econômica continua a serviço dos banqueiros e mega empresários, investimentos em saúde, educação, transporte e moradia passam longe de ser prioridade. A política de segurança pública privilegia a compra de armas, blindados, construção de presídios, uma verdadeira guerra que todos os dias deixa suas “baixas” nas periferias das grandes cidades brasileiras.

Na Bahia não é diferente, segundo dados do Ipea, em 2013 ocupamos o sétimo lugar entre os Estados com mais homicídios de negros. Para cada 100 mortes por armas de fogo no estado, 39 são negros e 10 são brancos. Na educação também somos os que mais sofremos com a falta de investimento, em 2010, segundo o IBGE, 16,6% da população baiana é analfabeta, dentre essas 17,8% são negros, 17,1% são pardos e 14,3% são brancos.

Em 2013 fomos as ruas pedindo mais investimento na educação, saúde, transporte publico ao invés dos gastos excessivo com a copa. Infelizmente a resposta do governo Wagner/PT é de que não tem dinheiro, em 4 anos, por exemplo, investiu apenas 133 milhões no setor de ensino. Em contra partida os investimentos público na copa seguem altíssimo, a arena Fonte Nova recebeu 323 milhões em financiamento da união. Além dos altíssimos gastos com a copa, em detrimento da saúde, educação e transporte, o governo vem implementando de forma ainda mais dura a faxina étnica, com a implementação das UPPs nas comunidades.

Diante dessa realidade o que era esperança transformou-se em indignação. Essa indignação tem levado a explosões de ódio contra a repressão. De vários cantos do país, todos os dias, a cada novo jovem negro assassinado a periferia se levanta e grita Basta!

A elite brasileira, sócia menor do imperialismo, necessita do racismo para manutenção dos seus privilégios e do seu modo de vida bancado as custas da super exploração do povo. De forma hipócrita dissimulam seu racismo por trás da cortina de fumaça do mito da democracia racial, gritam bem alto “somos todos iguais” e logo após fecham os olhos para a faxina étnica orquestrada pelos governos que tem como alvo os jovens negros da periferia. Jovens como Douglas, trabalhadores como Amarildo e Cláudia, símbolos de uma realidade que precisa ser revolucionada.

Nesse 13 de maio o PSTU reafirma que a verdadeira liberdade não será concedida de bom grado por aqueles que nos oprimem e exploram. A verdadeira liberdade só pode ser conquistada através da luta. Esse é o grande exemplo que nos deram Zumbi, Dandara, e tantos outros mártires da luta negra no Brasil. Tão certo como o verso da canção que diz “ negro é a raiz da liberdade” acreditamos que mais uma vez repousa sobre os ombros das negras e negros o destino da revolução brasileira.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A Bahia de todas as lutas: Todo apoio e solidariedade à greve dos policiais militares e a luta do funcionalismo público!


A Bahia de todas as lutas:
Todo apoio e solidariedade à greve dos policiais militares e à luta do funcionalismo público!
           
            Abril começa diferente em nosso estado. Há aproximadamente 50 dias da realização da Copa do Mundo, o clima de várias categorias de trabalhadores e trabalhadoras é de indignação e disposição para a luta. O processo mais importante nesse momento é das diversas categorias do funcionalismo público estadual, com destaque para a mobilização que tem polarizado a sociedade soteropolitana e baiana: A greve da Política Militar, deflagrada terça, junto com uma paralisação de 24h da polícia civil. A assembleia que definiu a greve tinha aproximadamente 15 mil policiais. O estopim da indignação da corporação, que resultou na deflagração da greve, foi a proposta de Plano de Modernização da PM do governo Wagner que, além de não atender às principais reivindicações salariais e de plano de cargos, impõe um retrocesso nos direitos democráticos da categoria, como a suspensão por até 120 dias sem remuneração e as absurdas transgressões disciplinares, pra citar algumas: “contrair dívida (ser incluído (a) no SPC/Serasa)”;  tentar “entrar na Unidade Policial com um Jornal que contenha fato contrário à disciplina”; “participar de manifestações com caráter reivindicatório” (site da ASPRA).

            Outras categorias do funcionalismo também estão se mobilizando, como é o caso dos técnicos administrativos das Universidades estaduais, professores das Universidades e da rede estadual de ensino. A realidade das Universidades é de calamidade, já que o orçamento para o custeio e manutenção nesse ano foi menor que do ano passado. Técnicos e Professores reivindicam, além de suas pautas salariais, a destinação de 7% da RLI  (Receitas Líquidas de Impostos) do estado para as Universidades, caso isso não ocorra, as universidades correm o risco de parar as atividades.
               
               Na rede estadual de ensino, o espírito de luta é muito forte. Se não fosse as manobras burocráticas da direção da APLB/CTB e da FETRAB/CTB nas assembleias do dia 15 e 16/04, os professores da rede estadual teriam deflagrado uma greve exigindo do governo Wagner o pagamento do piso nacional dos professores. Tanto a APLB/CTB quanto a FETRAB/CTB agiram assim para proteger o governo Wagner e evitar uma greve geral de todo o funcionalismo público estadual. Na base de outras categorias do funcionalismo, o anseio era por greve. Alguns sindicatos já chegaram com indicativo aprovado, na expectativa da deliberação na assembleia, (sindicato dos agentes penitenciários e SINTEST), mas a velha burocracia sindical atuou para proteger o governo, defendendo o reajuste linear que não repõe nem a inflação de 2013.
            
            Por que o governo Wagner deixa a situação da educação, saúde e segurança pública chegar a esse ponto? Por que diz não ter dinheiro para investir nesses serviços enquanto aloca recursos públicos para os megaempreendimentos da Copa e desonera grandes empresários da maioria dos impostos? Para se ter uma ideia, o governo do estado destinará um total de 1,4 bi para a OAS/ODEBRECH para que esta administre a Arena Itaipava Fonte Nova. E quem vai lucrar com os ingressos dos jogos no estádio? Só para montar a tenda do sorteio da Copa em Sauípe o governo estadual desembolsou R$ 6,4 milhões. Enquanto isso, decreta corte de gastos para diversos segmentos do funcionalismo que afetará ainda mais os serviços públicos (decreto 14.710/2014). Essa é a razão mais profunda das greves desse mês de abril!

         Ora, em junho de 2013 reivindicamos mais saúde, transporte, educação e segurança ao invés de se destinar tanto dinheiro para a Copa. Nesse momento são exatamente os trabalhadores desses serviços que se mobilizam. É por isso que é preciso superar o entrave das direções sindicais e construir uma greve unificada do funcionalismo público do estado exigindo do governo Wagner que revogue o estrangulamento orçamentário e destine mais dinheiro pra esses serviços. Para isso, é preciso deixar de atender aos interesses dos grandes empresários. Só uma greve geral do funcionalismo, que aposte na unidade das categorias em luta, pode mudar a correlação de forças e colocar o governo Wagner na defensiva e que permita que o funcionalismo possa pautar o reajuste linear já, com respeito à data base, reposição da inflação e ganho real; O pagamento imediato da URV!; A revogação do Decreto de contingenciamento de verbas para o serviço público; O pagamento do piso nacional dos professores; A destinação de 7% da  RLI para as Universidades, bem como as outras pautas específicas das demais categorias do funcionalismo.


OUTRA POLÍTICA DE SEGURANÇA É POSSÍVEL!

            A responsabilidade pelas greves é do governo Wagner e sua política de desvalorização dos serviços, porque está mais comprometido com os interesses dos empresários e da Copa da Fifa, do que com a valorização dos serviços e servidores públicos para melhor atender aos direitos da população. Mas o problema vai além de para onde vai o dinheiro público, da destinação das verbas. A greve da Policia Militar implica necessariamente uma reflexão sobre a insegurança cotidiana das nossas cidades, que se agrava ainda mais nesse momento. A política de segurança em nosso estado segue insuficiente. Mais que isso, segue tendo a mesma lógica dos governos Carlistas: Mata diariamente dezenas de jovens (a maioria negros) nas periferias. Além disso, vimos nas manifestações de junho o papel que cumpriu as forças policiais, sob as ordens do governador. É importante que se diga, reprimindo brutalmente aqueles que foram às ruas lutar por mais direitos.

            A estrutura da polícia militar, resquício do regime ditatorial, serve a esse propósito. Uma polícia não para proteger a população, mas para reprimir os excluídos, quem está nas periferias e aqueles que vão às ruas lutar. A atual política de segurança serve aos dominadores e não aos trabalhadores.

            O governo Wagner não fez nada para mudar esse caráter da polícia e dessa política de segurança. Ao contrário, o plano de modernização do governador, contra o qual os trabalhadores da segurança estão lutando, quer aprofundar esse caráter. Quer impedir os policiais de portar jornal com opinião contrária à “disciplina” nos postos policiais, de participarem de protestos e manifestações, de se organizarem sindicalmente. Impor sanções como suspensão por 120 dias sem remuneração aos “insubordinados”. Tudo isso para manter uma polícia que só cumpra ordens. Esse modelo de “modernização da polícia” quer impedir que um policial se oponha a reprimir uma manifestação, por exemplo, ou de aplicar a política de extermínio da juventude negra e de faxina étnica.


APOIAR OU NÃO A GREVE DOS POLICIAIS?

            Existe uma polêmica especialmente entre a esquerda e os lutadores sobre o apoio ou não à greve da PM. Uma primeira preocupação tem a ver com a situação de terror, violência e medo que a greve resulta, ou melhor, que é agravada com a deflagração da greve.  Alguns argumentam que a greve é motivada apenas por interesses eleitorais da sua direção. Outros ainda entendem os policiais, especialmente a partir das experiências com a repressão nas lutas, como inimigos dos lutadores e dos trabalhadores.

            O sentimento “anti-polícia” por parte de quem apanha da polícia nos atos e nas periferias é completamente compreensível, mas opinamos que não se pode confundir o agente que reprime, o policial, a maioria dos quais de fato agem de forma condenável nas manifestações, com os verdadeiros responsáveis pela repressão: o governo, a mando e a serviço da classe dominante. Responsabilizar o sujeito, individual, pela ação da repressão da instituição “PM” não ajuda a compreender a complexidade das instituições desse Estado e da luta de classes.

            Da mesma forma, não se pode confundir o processo de luta com sua direção. Se a direção age por outros interesses que não são os da luta é necessário ser denunciado, mas a luta dos policiais tem motivações reais, nas suas condições de salário e trabalho e, nesse caso, em elementos da própria estrutura da instituição. Não se pode confundir o interesse da direção com o interesse dos cerca de 15 mil policiais que votaram a favor da greve da PM no dia 15/04.

            O que levou aproximadamente 15 mil policiais a deflagrar greve não foi o “seguidismo” a uma direção, foram condições materiais, concretas. É uma luta por salário digno para esses trabalhadores. Mais do que isso, pelo direito democrático de expressão, de opinião e, por que não, de rebelião. É uma luta contra o plano de modernização do governo Wagner, que está a serviço de tornar a polícia ainda mais “militarizada” e repressora. Wagner está preparando caminho para fortalecer o seu aparato de repressão, para tentar esmagar nossa luta na Copa.

           Não basta, contudo, apoiar as pautas dos policiais. É necessário fazer um chamado a esses trabalhadores para, a partir da sua experiência de luta, serem ganhos para estar do lado dos lutadores e do povo pobre, e não ao lado da repressão do Estado. Defendemos que é necessário ir além, é possível lutar por outra política de segurança, lutar para desmilitarizar a polícia: ter uma polícia civil única, acabando com a separação entre as atividades de investigação e policiamento, tendo uma única força não subordinada às Forças Armadas. Os policiais teriam o mesmo direito de qualquer servidor público, como de se manifestar livremente. Além disso, acabaria com tribunais militares, e os policiais estariam submetidos aos mesmos tribunais de todos os civis.

            Isso ainda não seria suficiente. A polícia reprime as manifestações, comete os chamados “abusos” com a população mais pobre porque não há nenhum mecanismo de controle de suas ações por parte da população. Muito pelo contrário, ao estar completamente submetida às ordens “de cima”, ela serve a quem manda, em última instância, aos ricos. Não teremos segurança de fato enquanto as forças responsáveis por garanti-las estiverem totalmente separadas da maioria da população. É possível uma força de segurança controlada pelos trabalhadores e o povo pobre, por meio de mecanismos como a eleição dos delegados de cada cidade ou zona.

        Nesse momento de muita apreensão na cidade, onde o governo (principal responsável pela greve da PM e pelas demais greves que estão sendo preparadas pelas outras categorias do serviço público) tenta jogar a população contra os policiais, achamos muito importante reafirmar o apoio à greve dos policiais e das demais categorias do funcionalismo estadual. Só com muita luta e com uma greve geral do serviço público poderemos alcançar a valorização dos serviços e dos servidores públicos e melhorar o atendimento à população. Só a classe trabalhadora organizada nesse momento pode exigir do estado outra política de segurança e outra polícia, que atenda de fato os nossos interesses.

             Por fim, gostaríamos de lembrar dos discursos de Jaques Wagner na greve da PM de 1992: “Em primeiro lugar solidarizo-me com nossos conterrâneos da Polícia Militar do Estado da Bahia, que há aproximadamente dez dias vêm se movimentando juntamente com seus familiares, particularmente as esposas, numa justa reivindicação por melhorias salariais. Infelizmente, a impermeabilidade do Governador do Estado fez com que o Comando da Polícia Militar punisse cerca de 110 militares. Acho um absurdo o atual vencimento dos agentes da Polícia Militar da Bahia, bem como o dos oficiais. Entendo que aqueles que têm por tarefa a manutenção da ordem pública precisam ter uma remuneração condizente com o risco de vida a que se expõem todos os dias. Por isso, registro minha solidariedade aos 110 oficiais e policiais militares já punidos e reitero veementemente meu apelo ao Comando da Polícia Militar para que, em vez de simplesmente seguir as ordens do Governador do Estado da Bahia, sempre impermeável às reivindicações do funcionalismo do nosso Estado, tente sensibilizar o Executivo do nosso Estado no sentido de que sejam atendidas as reivindicações das esposas dos militares que, na verdade, estão indo às ruas porque não têm como comprar alimentos para a família”. E de Lula na greve da PM de 2001: “A Polícia Militar pode fazer greve. Minha tese é de que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a fazer greve.”

            Infelizmente, o PT, que outrora apoiava e financiava as greves da PM, hoje não pode mais fazê-lo pois mudou de lado e defende os interesses dos ricos e dos empresários que mandam no Brasil. A tarefa de defender outra política de segurança pública e de melhoria dos serviços ficou para os trabalhadores e para a juventude que não se vendeu e que entendem a importância de construir uma alternativa de esquerda e socialista para mudar a nossa sociedade!

Todo apoio e solidariedade à greve da PM!

Nenhuma punição aos grevistas. Anistia Já!

Pelo direito à greve e sindicalização dos policiais militares e bombeiros!

Contra o Plano de “Modernização da PM” de Wagner!

Desmilitarização da polícia já!

Por uma Força de Segurança Controlada Pelos Trabalhadores e o Povo Pobre!

Valorização dos serviços e servidores públicos!

Por uma greve geral do funcionalismo público estadual que unifique as categorias na defesa dos seus direitos!

Salvador, 16 de Abril de 2014


Direção Estadual do PSTU Bahia

sexta-feira, 21 de março de 2014

Da Tahir a Maídan.


Jean Montezuma.


Tahir e Maídan, o que teria haver uma com a outra? Geograficamente tão distantes, palco por onde passam pessoas culturalmente tão distintas. Uma na África ás margens do Nilo e a outra na Europa do leste atravessada pelo rio Dnieper. Não teriam nada de comum essas praças senão o fato de serem, as duas, antes tão somente praças. Porém quis o destino fazer de ambas símbolos desses nossos dias.

Entre a Tahir dos egípcios
e a Maídan dos ucranianos algo de especial vem acontecendo ás praças e avenidas do mundo. Na Síria a revolução virou guerra civil. Uma guerra do povo contra o governo, uma guerra da liberdade contra uma sanguinária opressão. Os sírios tomaram as ruas, as praças, avenidas, cidades inteiras e quiça em breve tomarão o país quando acertarem suas contas com Assad.

Em vários cantos do mundo praças e avenidas ganharam grandes doses de um conteúdo subversivo. Na Espanha foi a indignada praça Puerta del Sol, em Portugal, Inglaterra, e Itália praças e avenidas também pulsaram contra os seus governos. Até nos Estados Unidos barricadas foram montadas em Oakland/California e na costa leste jovens e trabalhadores ocuparam Wall Street. Diziam eles: "Obama! Nós somos os outros 99%!".

Até o nosso querido Brasil, quem diria, entrou para o circuito. Os dias de junho de 2013 já entraram para nossa história porém, mais do que mera lembrança as jornadas de junho nos servem de lição. É possível lutar, sim, e também é possível vencer! Cada nova mobilização, cada greve heróica como a dos garis cariocas reforçam a certeza de que hoje, mesmo em março, ainda vivemos sob os dias de junho.



Após essa volta ao mundo retornamos uma vez mais a Ucrânia. O que começou na Maídan se espalhou pelo país, chegou até a Criméia e superou as fronteiras. A revolução ucraniana resiste. Resistiu e derrubou o presidente Yanukovich. Desconfia e não entregou suas armas ao governo fantoche provisório. Também alimenta um ódio pelo chauvinismo grão-russo de Putim e desconfia da hipocrisia democrática de Obama e da União Européia.

Entre a Tahir e a Maídan tanta coisa aconteceu, tanta coisa ainda vai acontecer. Entre a Tahir e a Maídan tantas semelhanças, tantas lições a nos ensinar. Em várias praças, avenidas, cantos e recantos desse mundo o povo luta, exige mudanças, identifica seus inimigos, enfrentam-nos e quando podem cortam suas cabeças.

Da Tahir a Maídan reescrevemos cotidianamente nossa história. Os autores dessas páginas são milhões de ilustres desconhecidos, os "subalternos" do mundo capitalista. Os gabinetes onde essa história é escrita não estão nos corredores das Universidades mas sim nas ruas, nas praças, avenidas, nas barricadas onde mundo afora nosso futuro está sendo decidido.




quinta-feira, 21 de novembro de 2013

20 de novembro é dia de luta! Nossa consciência é negra e socialista!

20 de novembro é dia de luta! Nossa consciência é negra e socialista!
Jean Montezuma, de Salvador (BA)


20 de novembro de 2013, 125 anos após a abolição da escravatura, os negros e negras foram às ruas em todo o Brasil mostrar que a luta contra o racismo e pela verdadeira liberdade ainda continua. Nesse 20 de novembro, saudamos a memória de nossos mártires, Zumbi, Dandara, Maria Filipa, e tantos outros homens e mulheres que iniciaram a resistência desde o dia em que o primeiro negro africano chegou aqui para ser escravizado.
Hoje as ruas do centro de Salvador tornaram-se o palco da XXXIV marcha Zumbi dos Palmares. Cerca de 2 mil pessoas estiveram presentes e, durante todo o ato, seja nas falas ou nas letras do Reggae e do Hip Hop, as bandeiras de luta do povo negro eram lembradas. O tema da violência e do extermínio da juventude negra esteve presente em todas as falas. Um Recente estudo realizado pelo IPEA comprovou que o racismo faz com que nós negros tenhamos uma expectativa reduzida em relação aos brancos. Somos nós também as maiores vítimas de mortes violentas: “O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele. Tais discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros vis-à-vis o resto da população”.

Por isso, a luta contra o genocídio do povo negro e pobre tem movido o movimento negro levando-o a se chocar com governos como o de Wagner/PT, que aqui na Bahia pratica uma política de segurança pública marcada pela criminalização da pobreza. Não à toa, a PM baiana é a que mais mata no Brasil, e não à toa na Bahia a taxa de homicídios entre os negros é 47,3 para cada grupo de 100 mil, sétima pior do Brasil.
O PSTU participou da marcha levando a mensagem da necessidade de uma luta combinada contra a opressão racista e a exploração capitalista. Durante o ato nossa militância vendeu cerca de 50 jornais Opinião Socialista “Raça e Classe”, uma edição especial de nosso jornal inteiramente dedicada a discutir um programa de raça e classe para o povo negro e para a classe trabalhadora brasileira. Somente uma luta sob a bandeira de raça e classe será capaz de pôr a baixo as barreiras impostas a nós negros pelo racismo. O destino dos negros e negras está ligado ao da classe trabalhadora e somente como parte dela, como protagonistas de uma luta anti-racista, classista e socialista que os negros alcançarão a sua verdadeira liberdade


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Saúde da mulher: Só o Outubro Rosa não basta.


Aruska Almeida.

Outubro está se despedindo e com ele se encerra uma importante campanha travada em diversos países pela saúde da mulher: O outubro rosa. Este movimento surgido nos Estados Unidos na última década do século XX, reunia diversas ações isoladas nos seus estados contra o câncer de mama. Estas ações pretendiam gerar uma conscientização maior da população feminina acerca da prevenção e riscos da doença, estimulando os métodos para o diagnóstico precoce da doença, o que aumenta consideravelmente as chances de cura.
Os métodos de sensibilização envolviam enfeitar os locais públicos das cidades com laços rosas, promover desfiles e uma série de atividades que chamassem a atenção das pessoas para o tema. A iluminação rosa de monumentos e locais que chamam atenção nas cidades é considerada a marca de que a campanha é global e pode ser entendida em todos os lugares do mundo.
No Brasil, também são realizadas ações pela campanha, que envolvem desde as medidas tradicionais até mutirões de mamografia. Apesar de importante iniciativa, esta ação de maneira isolada não resolve o problema da saúde da mulher, que está longe de ser algo para tratar em um único mês do ano.

Após 10 anos de PT, a saúde da mulher melhorou?

A saúde pública está completamente sucateada e isso já não é novidade. Uma das muitas pautas históricas que as lutas de junho reviveram foi a da saúde pública, gratuita e de qualidade. Algumas medidas como o programa Mais Médicos são propagandeadas pelo governo como grandes resoluções para um problema que só se arrasta gestão após gestão. O PT vem fazendo história ao seguir fielmente o programa e as políticas outrora aplicadas pelos Tucanos e pelo DEM. A saúde pública e as mulheres que dependem dela são as maiores prejudicadas.
O cenário não é nada bonito, o contraste entre a realidade de um lado e as propagandas do governo de outro é gritante, a saúde da mulher não logrou melhora qualitativa virando uma questão ainda mais delicada. Ao precisar de atendimento diferenciado e específico, as dificuldades no acesso aos serviços adequados e resolutivos fazem com que muitas mulheres padeçam de doenças que poderiam ser evitadas e curadas, se tratadas a tempo. Muitas sequer conhecem os riscos aos quais estão submetidas, excluídas de quaisquer campanha de prevenção ou tratamento de certas doenças. Para elas, só restam as intermináveis filas que as levarão para os corredores de hospitais cada vez mais cheios e menos preparados.
O SUS não está preparado para atender todas as demandas que as mulheres apresentam. Apesar de haver discussões sobre o tema da mulher por parte dos profissionais, pouco se avança em termos de melhoria geral do atendimento, visto que falta infraestrutura e investimentos na saúde pública.
Quando se é mulher e lésbica, a situação torna-se mais trágica. Não existe nenhuma orientação específica aos profissionais acerca do atendimento diferenciado para estas mulheres nem condições para o mesmo. Isso ocorre principalmente pela invisibilidade da sexualidade feminina, ainda muito forte. As mulheres lésbicas sofrem as consequências da opressão em todos os âmbitos de sua vida e nos locais de saúde, a situação não muda. São constrangidas e submetidas a situações que as deixam desconfortáveis, pois não existe uma preocupação de formar profissionais que compreendam a homossexualidade e as incorporem no tratamento que dispensam a estas mulheres.
A situação das mulheres negras também é bastante cruel. As mulheres brancas e as mulheres negras apresentam diferenças consideráveis em termos de saúde, tanto no acesso quanto no próprio atendimento. Submetidas à ideologia nefasta do machismo e racismo ao longo de toda sua história, veem sua sexualidade e saúde sempre como algo que não lhes pertence. Antes de nascer, já recebem o título de “parideiras” e o direito ao seu corpo, roubado. São elas as mais expostas às doenças sexualmente transmissíveis e as que mais encontram dificuldades para acessar os serviços mais básicos de saúde. As mulheres negras são as mais vulneráveis aos estupros, ao diabetes mellitus, hipertensão e anemia falciforme; o maior público nas unidades do SUS são de mulheres, sobretudo negras; são elas que conformam a maior parte da população que sofre com os problemas estruturais do SUS,
Ao invés de aumentar os investimentos na saúde, que promoveriam mudanças reais na realidade das mulheres brasileiras, o governo prefere apoiar-se em programas como o Rede Cegonha e o Estatuto do nascituro (apelidado pelo movimento feminista de Bolsa Estupro), verdadeiros ataques aos direitos conquistados pela luta histórica do movimento feminista, e que criminaliza as mulheres tornando o aborto um crime hediondo e retirando o direito ao aborto legal em caso de estupro e risco de morte, ao mesmo tempo em que dá ao estuprador direitos sobre a criança que nasceria decorrente do estupro, reafirmando a ideia de que somos seres meramente reprodutoras, escolhendo isso ou não.
Seria cômico se não fosse trágico que essa realidade seja mantida pelo governo de um partido que em seu passado levantava bandeiras como a da legalização do aborto e teve sua militância envolvida com as mulheres trabalhadoras. A realidade é que a saúde da mulher não melhorou no governo de uma mulher. Ao passo em que Dilma vem entregando as riquezas do país de mão beijada ao Imperialismo e aplicando a cartilha neoliberal que aprendeu com FHC e Lula, a presidenta mostra de que lado está. As mulheres trabalhadoras continuam a padecer sem acesso algum a um sistema de saúde digno. O mínimo é negado todos os dias a nós trabalhadoras por um governo que, ao invés de explorar as riquezas naturais do país como o pré-sal e revertê-las para saúde e educação, as entrega de mão beijada para o capital estrangeiro, como o caso do leilão do campo de Libra.

É preciso lutar por um programa para as mulheres trabalhadoras

Iniciativas como o outubro rosa são importantes pois reacendem debates fundamentais na sociedade, como um alerta aos riscos a que estamos submetidas e a necessidade da prevenção. Contudo, se perdem enquanto ações isoladas, pois devem fazer parte de um processo maior de conscientização, a de que é necessário uma reformulação total do programa de saúde brasileiro e mundial, que esteja a serviço da necessidade dos trabalhadores e por eles controlado.
O quadro da saúde da mulher hoje assusta e nos coloca um questionamento: como no governo de uma mulher a situação das trabalhadoras só piora? A resposta pode ser encontrada em todos os discursos que a presidenta vem dando nos meios de comunicação e nas políticas que tem aplicado: ela governa para os ricos, para os empresários da saúde que lucram de maneira absurda em cima da calamidade social.
É preciso tomar para nós trabalhadoras a tarefa de enfrentar este governo que não é nosso e que em nada nos beneficia. Que tem criminalizado e enfrentado de maneira truculenta as lutadoras e lutadores de junho que vão às ruas para construir um futuro melhor, mais digno e mais saudável para os trabalhadores e a juventude.
É preciso lutar por outubros rosas que durem todo o ano. Por uma saúde digna, pública e de qualidade para as mulheres e homens trabalhadores. Por um mundo em que nosso corpo seja respeitado e onde a escolha sobre ele seja nossa. É preciso lutar por um mundo verdadeiramente saudável, um mundo socialista.



terça-feira, 15 de outubro de 2013

15 de outubro, dia do professor: Nada há comemorar, muita luta por fazer.



Jean Montezuma, Salvador/BA.

Há 10 dias uma imagem circulou pelas redes sociais e chamou atenção. Um policial segurava um cassetete quebrado e dizia na legenda: “ Foi mal fessor!”. A repulsa e indignação de milhares foi imediata. A atitude desse PM carioca, além de demonstrar o sórdido estado de uma instituição falida e degenerada serve também, como uma infeliz metáfora do tratamento cotidiano concedido pelo Estado brasileiro a educação.

Seja no momento de greve como é o caso da heroica greve dos professores cariocas ou a greve de 118 dias da educação baiana em 2012, seja no cotidiano das escolas sucateadas onde falta material didático, falta merenda, faltam professores... enfim, onde a falta de investimento é gritante; o “modus operandi” dos governos municipais, estaduais, e também o federal é o da violência contra a educação pública.


O canto da Sereia.

Há cada 2 anos, durante as eleições, os scrippts dos candidatos em campanha são os mesmos. Todos anunciam uma fórmula que mudará “pra valer” a vida de todos. Em todas essas receitas milagrosas a educação aparece como um ingrediente importante e os candidatos em campanha dizem: “ o caminho do Brasil passa pela educação!”. Nos prometem: “ Mais escolas! Mais creches! Mais Universidades!” e nos caberia apenas ter a dedicação para, aproveitando dessas oportunidades, “melhorar” nossas vidas e, como gosta de dizer a presidente Dilma, ajudar a “mudar o Brasil”.

Em troca de tudo isso os políticos nos pedem muito pouco, “apenas” o nosso voto na urna. A verdade é que inúmeras gerações de cariocas, baianos, brasileiros e brasileiras foram vítimas desse verdadeiro canto da sereia. A ideologia de que a educação sozinha mudará o Brasil é tão falsa quanto os lobos em pele de cordeiro que a vende. O Brasil é um país extremamente desigual. No DNA dessa desigualdade, na cadeia de seus cromossomos, podemos identificar não apenas os políticos e seus governos mas também a hipócrita democracia dos ricos, o próprio Estado e o sistema capitalista.

Educação no Rio, na Bahia e no Brasil: Um paciente em estado terminal.

Quando professores decidem coletivamente ir a greve o fazem não por uma decisão arbitrária mas sim por ver na greve a última saída para defesa da sua profissão e da educação como um todo. Dentre todas as profissões que exigem ensino superior a de educador é de longe a mais desvalorizada. Enquanto cortam recursos da educação os governos impõem que o professor assuma o papel missionário de “salvador” da educação. Nas palavras da professora e vereadora em Natal Amanda Gurgel “ estou nos colocando dentro da sala de aula com um giz na mão pra 'salvar' o Brasil!”

O Brasil, dono da 6 maior economia do mundo, convive com indicadores sociais típicos dos mais empobrecidos países do planeta. Segundo dados do IBGE o analfabetismo voltou a crescer no ano passado e atinge 13,2 milhões de brasileiros( 8,7% da população). Se contarmos o analfabetismo funcional os números sobem para 33 milhões, ou seja, 18% da população brasileira não consegue nem ao menos interpretar/compreender aquilo que lê!

No ensino médio a taxa de evasão no país chega a 50% e quanto a privatização, instalada em todos os níveis educacionais, no caso do ensino superior nos deparamos com o cenário onde 75% das vagas ofertadas estão na rede privada. Chama atenção o exemplo de São Paulo, o mais rico estado da federação, onde do total de vagas ofertadas no ensino superior apenas 13% são em instituições públicas.
10 anos de governo do PT no Brasil: Um triste espetáculo de sonhos despedaçados.

Que governos como os de Paes e Cabral no Rio, Alckimim em São Paulo, Rosalba no Rio Grande do Norte ou, o de ACM Neto em Salvador são inimigos da educação pública todos nós já sabemos. Os partidos da direita brasileira tradicional (PMDB-DEM-PSDB-PSB) representam os interesses daqueles que mantém seus privilégios ás custas do sacrifício da maioria da população. A burguesia brasileira em parceria com o imperialismo não mede esforços para fazer todo tipo de negócio que lhes rendam lucros, incluindo aí o desmonte da educação pública.

Porém, infelizmente o que se viu nos últimos 10 anos de governos petistas foi a manutenção dessa mesma lógica. Lula e agora Dilma, Wagner na Bahia, Haddad em São Paulo e Tarso no Rio Grande do Sul despedaçaram os sonhos de milhões de trabalhadores. A educação sob esses governos permanece como um paciente terminal abandonado nos corredores do SUS sem receber nenhum tipo de tratamento digno. Em 10 anos o investimento em educação saiu de 3% do PIB na era FHC para 5,1% . Um aumento de 2% em 10 anos! Os 10% do PIB prometidos em 2002 foram novamente prometidos apenas para 2023!

Quem luta por educação também diz não ao leilão.

Desgraçadamente no Brasil, descaso, sucateamento e privatização não são “privilégios” da educação e se reproduzem também na saúde, no transportes e demais áreas sociais. Com a descoberta do Pré-sal os trabalhadores e os movimentos sociais foram tomados por uma esperança de que com esses recursos do petróleo os investimentos, tão necessários, finalmente viriam.

Na campanha de 2010 Dilma alimentou essa esperança. A então candidata fez duras críticas as privatizações tucanas da era FHC, exaltou o papel da Petrobras, prometeu que usaria os recursos do Pré-sal pra acabar com a fome e promover uma profunda transformação na saúde e na educação.

Passados 3 anos da campanha Dilma esta prestes a promover um dos maiores ataques a soberania nacional de toda nossa história. O leilão dos poços de petróleo da bacia de Libra marcado para o próximo dia 21 será a maior operação de entrega de recursos brasileiros para as mãos da iniciativa privada nacional e estrangeira. No dia 21 de outubro ao leiloar os poços da bacia de Libra, maior reserva de petróleo pronto para exploração do mundo, Dilma e o PT estarão leiloando também a educação, a saúde, e o futuro das próximas gerações de brasileiros.

O 15 de outubro desse ano terá atos em diversas cidades brasileiras em defesa da educação, em apoio a greve dos professores cariocas e também contra o leilão de Libra. Nesse 15 de outubro educadores, professoras e professores, que pouco ou nada tem há comemorar irão as ruas junto com outros trabalhadores e estudantes dizer não ao leilão de Libra. Vamos mais uma vez tomar conta das ruas e avenidas brasileiras pra defender a educação, a saúde, pra lutar agora por um futuro cada vez mais ameaçado.